Indonésio acabou de entrar numa universidade canadiana, mas especialistas alertam para problemas de socialização

Diki Suryaatmadja, uma criança indonésia com apenas 12 anos, tem um quociente de inteligência (QI) próximo de 200 – a média anda pelos cem – e já foi admitido na Universidade de Waterloo, no Canadá. Mas os psicólogos receiam que o acesso tão prematuro ao ensino superior possa correr mal. “Como é que uma criança se vai relacionar com jovens de 18, 19 e 20 anos, que têm outros interesses? Há o risco de desestabilização e antissocialização”, alerta a presidente da Associação Portuguesa de Crianças Sobredotadas (APCS), Helena Serra, revelando que em Portugal não há nada parecido. Nem a lei o permite.

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O génio indonésio natural de Java, que aprendeu a falar inglês em apenas seis meses vendo filmes e lendo livros americanos, está matriculado no curso de Física e também vai ter aulas de Química e de Economia. Passa a ser o estudante mais novo da história daquele estabelecimento de ensino superior sediado em Ontário, a província mais populosa do Canadá. Foi por lá que Diki se instalou acompanhado pelo pai, dizendo-se “impressionado” com as casas de hambúrgueres que tem descoberto na cidade.

A própria universidade revelou que, quando foi confrontada com a candidatura da criança, admitiu tratar-se de um engano relativo à data de nascimento, mas os conhecimentos adquiridos e as capacidades evidenciadas não deixaram lugar para dúvidas. Apesar dos 12 anos, o rapaz tinha portas abertas no estabelecimento. Quer aprender tudo o que houver para aprender sobre energias renováveis, área em que pretende vir a trabalhar. Já foi considerado um dos melhores alunos da faculdade neste ano. Mas nem tudo se perfila como um mar de rosas, segundo Helena Serra, uma vez que casos como o do Diki – há outros ao longo dos tempos por esse mundo – exigem um acompanhamento rigoroso por parte da universidade. “A própria turma deverá ser alvo de um programa de planeamento específico, pensando que há um menino de 12 anos no meio de 20 ou 30 colegas de 18 ou 20 anos”, sublinha a especialista em crianças sobredotadas, dizendo que “até os tempos de contacto com essa turma têm que ser de trabalho e não de lazer”, refere.

Helena Serra revela que a APCS já trabalha com mais 150 jovens no país, tendo em marcha projetos entre Gaia, Porto, Leiria e Nelas. “Temos miúdos cujo QI varia de 130 a 150”, refere, embora a lei portuguesa permita que os alunos avancem apenas um ano por cada ciclo. Ou seja, o acesso à universidade não pode ser feito antes dos 15 anos. “Há o tal receio de que os alunos estejam inadaptados em termos relacionais”, justifica a dirigente.

O psicólogo José Morgado lamenta que “muitas vezes” faltem respostas educativas no país ajustadas às competências das crianças. “Há meninos de 6 ou 7 anos, com competências em algumas áreas, a quem estão a ser ensinadas coisas que já sabem juntamente com as outras crianças que estão realmente a aprender”, exemplifica, considerando existir uma “possível fonte de inadaptação” que pode conduzir à desmotivação. “É aqui que surgem os problemas”, diz, defendendo mais atenção do ensino a estas questões: “Há crianças que têm capacidades espantosas para o cálculo e pensamento lógico, mas outras têm competências na pintura e música”, resume.


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