“Comecei meu vício há aproximadamente 8 anos. No início parecia legal, todos os meus amigos estavam usando e achei que não me faria muito mal. Estava enganado.

Meu primeiro contato foi através do MSN e de jogos online (MMORPG). Em pouco tempo já era adepto do Orkut e logo já fazia uso regular de quase todos os outros. Twitter, facebook, whatsapp, youtube, blogs de humor…

Cheguei a investir de 10 a 12 horas diárias nisso. Conheci muita gente que estava na mesma situação e as pessoas não pareciam se importar tanto. Mas de um tempo para cá resolvi que era hora de parar. Ainda não estou limpo, mas já tive uma melhora de vida significativa.

Origem do vício

Passei boa parte da minha adolescência jogando. Tinha amigos, um clan(equipe), reputação, deveres… Investia 5 horas do dia jogando. Em paralelo navegava no Orkut e batia papo pelo msn e Mirc. Por uns 3 anos ou mais, minha rotina semanal era essa.

Um dia notei que estava perdendo muito tempo com o Runescape (jogo) e resolvi dar um basta. Peguei todo o meu patrimônio no jogo doei e depois dei minha conta.

Porém continuei desperdiçando 5 ou 6 horas por dia na internet. Comecei a jogar alguns outros jogos e a ter interesse por edição de imagens. Jogava umas 4 horas e aprendia algo novo no Photoshop na hora restante.

Essa hora restante foi o suficiente para me garantir um estágio, que me direcionou a programação que viria a se tornar meu ganha pão.

Anos se passaram e consegui distruibuir melhor minhas horas online. Agora tinha uma profissão e precisava estudar com mais frequência. Passei a jogar bem menos e a dedicar boa parte do meu dia ao estudo. Acompanhado obviamente do facebook, blogs de humor idiota, youtube. Eram raros os momentos em que estava 100% focado em algo importante.

Tempos modernos

De fato perdia muito tempo em coisas fúteis e investia pouco em coisas que realmente trariam algum valor para a minha vida. Isso perdurou por anos e piorou bastante com os smartphones e internet móvel.

Foi quando conheci pessoas bacanas, que me mostraram que é preciso ter controle da tecnologia.

Daqui em diante vou mostrar algumas mudanças que fiz nos últimos anos, quais problemas resolveram e o que notei que melhorou.

Notificações no celular

Por padrão todo aplicativo é extremamente carente e vai demandar sua atenção a cada 10 minutos. Principalmente se for uma rede social ou algum joguinho. E nada mais improdutivo do que ser interrompido de 10 em 10 minutos com um bip ou o ronco do seu celular vibrando sobre a mesa. Então desativei todas as notificações do meu celular com exceção de mensagens diretas (nada de grupos) do Whatsapp, Facebook Messenger e SMS.

Meu celular parou de roncar o dia todo na mesa e passou a me alertar duas ou três vezes por dia quando alguém realmente estava falando diretamente comigo.

Notificações do facebook

Meu facebook não apita. Sério! Quando alguém comenta na foto do churrasco do final de semana enquanto estou lendo algum artigo ele simplesmente adiciona um número (1) na abinha e pronto. Às vezes eu noto na hora, outras levo alguns minutos, em alguns casos só vejo horas depois, mas não vou perder a linha de raciocínio por conta de um comentário.

Lixeira Feed do facebook

Morreu. O feed do meu facebook não existe mais. Instalei essa extensão no Chrome e ele simplesmente não aparece mais.

Meu facebook se resume a notificações de interações, chat e algum status novo sobre algo bacaninha que pesquei pela internet.

Quando quero me dar ao luxo de perder tempo no facebook acesso pelo celular, onde geralmente estou mais disposto a perder tempo mesmo.

Um dos maiores ganhos de produtividade que tive. Qualquer clique na aba do facebook era uma roleta russa de tempo. Podia navegar por 2 minutos e voltar ao que estava fazendo, como podia levar 2 horas debatendo sobre o carisma da Dilma ou como o BBB 6 foi infinitamente melhor que o último.

Última visualização e geolocalização de chats

Outro recurso que aboli da minha vida são as informações sobre a minha disponibilidade. Desativei a ultima visualização do Whatsapp e do Chat do facebook além de remover informações sobre a minha localização.

Não estou disponível para todo mundo durante o meu dia e não quero ser alvo de cobranças. As vezes li algo, mas simplesmente não estou com tempo para responder ou resolver na hora.

Filtros de emails e controle de acesso

Dei unsubscribe em praticamente tudo que me mandava emails periodicamente. Lojas virtuais, redes sociais, aplicativos, blogs… Tudo. No email do trabalho liguei alguns filtros para não receber determinados tipos de mensagem.

No final das contas parei de receber 200 emails por dia e passei a receber 10.

Além disso desativei as notificações de email do celular e passei a acessar em determinados intervalos do dia. Todos conhecem muito bem a dinâmica do email e sabem que não é algo instântaneo como um chat, logo não preciso dar tanta prioridade a eles.

Roleta do unfollow

Tenho o costume de dar unfollows. Em qualquer coisa. Comentei a pouco sobre alguns emails periódicos mas faço isso no twitter, instagram, facebook…

Sempre que vejo algo que não agrega nada, faço uma pequena avaliação no perfil e vejo o que tem a oferecer de interessante. Se em 10 posts não achar nada, dou unfollow.

Isso me poupa um tempo absurdo em redes sociais. Não preciso pescar tanto para achar algo que preste.

Aposta de bar

Não basta chamar sua atenção na aula ou na reunião de trabalho. Seu celular vai vibrar loucamente durante aquela conversa de bar marota de final de semana. E não só o seu. O de todos.

Não vai demorar muito para metade da mesa estar com o celular em uma mão e o copo na outra e no final das contas vão abrir um grupo no Whatsapp e conversar por lá mesmo.

Então passei a fazer uma aposta. No início do encontro, todos colocam os celulares empilhados na mesa. O primeiro que retirar o celular da pilha paga a conta toda.

Sempre que fizemos essa aposta a conversa rendeu por horas e todos se divertiram a noite toda.

Aposentando o telefone fixo

Retirei o telefone fixo do meu quarto e não atendo praticamente nenhuma ligação residencial.

As ligações feitas para o residencial geralmente são de bancos com propostas excelentes de me tomar dinheiro ou alguém sequestrando o filho que não tenho. Quem realmente precisa falar comigo, entra em contato pelo celular.

Troque meia hora de facebook por meia hora de um bom livro

Sigo algumas pessoas legais no facebook e só curto fanpages que postem coisas que me agradam. A regra do unfollow se aplica da mesma forma para o unlike. Porém, ainda assim perco muito tempo com alguns posts que não tem valor nenhum.

Então peguei o tempo que levo no ônibus para ir e voltar do trabalho, que era dedicado ao facebook e passei a ler. Já li uns três livros desde que fiz essa troca e não me arrependo.

Você provavelmente não lembra daquele post da sua prima sobre a corridinha matinal da Sabrina Sato na lagoa, mas vai lembrar por anos de um bom livro.

Modo avião

Colocar o celular em modo avião antes de dormir se tornou quase tão comum quanto escovar os dentes.

Ser interrompindo enquanto trabalha ou estuda é ruim, porém nada se compara a ser interrompido enquanto dorme.

Ninguém pode dormir bem com um celular embaixo do travesseiro vibrando às 04:15 da manhã porque seu amigo bêbado lembrou que te considera pra caralho.

Conclusão

O conceito básico que aprendi nesse último ano graças ao conselho do oráculo da montanha (Rodrigo Muniz) foi que, ser atropelado por centenas de notificações diárias é algo terrivelmente ruim. Principalmente quando boa parte delas não merecem sua atenção.

Você precisa consumir o que de fato te interessa e quando julgar necessário.

É claro que nem todas as sugestões se aplicam a todo mundo. Eu particularmente estou perto do meu último passo que vai ser desativar o facebook e dar unfollow no twitter em qualquer perfil que não esteja relacionado ao meu trabalho. Mas ainda não criei coragem.

Os benefícios são claros. Aumento da produtividade, melhor comunicação com as pessoas que realmente interessam, mais tempo livre para fazer algo que agregue valor a sua vida, menos estresse. Mais vida de verdade.”

Ps: O texto está todo em brasileiro, e achamos que deve ficar da forma original.

Fonte: leandrooriente.com


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