Veterinários pensam existir 35 hipopótamos, mas o controlo da população de mamíferos é difícil

Mais de duas décadas depois da morte do barão da droga colombiano Pablo Escobar, há um estranho legado que o sobrevive: os seus hipopótamos de estimação.

Na vila de Doradal, a 190 quilómteros de Medellin, cidade onde se situava o quartel-general de Escobar nos anos 80 e 90, os habitantes convivem, assim, com a segunda maior concentração destes mamíferos fora de África.

“São como mascotes do povo”, afirma à AFP Diego Alejandro Rojas, iluminando o hipopótamo que pasta preguiçosamente num terreno próximo de algumas residências e que, na escuridão, só é visível pelos seus olhos brilhantes.

Em 1978, Pablo Escobar adquiriu uma propriedade com dois mil hectares, onde criou um zoológico com espécies exóticas. Mais de uma década depois, quando o barão da droga foi abatido pela polícia, os flamingos, as girafas, as zebras e os cangurus foram vendidos. Os quatro hipopótamos foram, no entanto, deixados livremente na propriedade.

Hoje, os veterinários da região já perderam conta aos animais de Escobar. “Reproduzem-se a cada dois anos, com apenas um filhote. Isto para eles é um paraíso. Não têm predadores. Estão muito mais tranquilos que no seu habitat natural”, explica Jairo León Henao, veterinário da Cornare, uma organização ambiental para a qual são encaminhados os fundos e bens confiscados a narcotraficantes.

As autoridades calculam que existam 35 hipopótamos, que ultrapassam frequentemente a fazenda do barão da droga, nos arredores da vila. “Hoje fui treinar futebol e, na frente do prédio, estava um hipopótamo”, conta Lina María Álvarez, de 12 anos.

Até ao momento nenhum ataque a humanos foi registado, mas o perigo é, segundo os especialistas, constante. Será, por isso, instalada uma cerca no perímetro preferido dos animais: os 25 hectares no coração da propriedade. “A ideia é fechar a área com pedras, arame e limoeiros espinhosos” para evitar as fugas destes mamíferos que chegam a medir três metros de comprimento e dois metros de altura.

A biodiversidade da região está também ameaçada, já que os hipopótamos forçam a deslocação da fauna nativa (como o peixe-boi, que já está em vias de extinção, e a lontra), podem transmitir doenças fatais ao gado, incomodam a pesca e poluem os rios (quando defecam na água.)

Os veterinários da região recomendam a esterilização como meio para controlar o aumento do número de mamíferos, mas os custos da cirurgia e a dificuldade de distinção de machos e fêmeas inviabilizam esta proposta. Até hoje apenas quatro hipopótamos foram castrados, multiplicando-se, por isso, os animais de Escobar sem um verdadeiro mecanismo de domínio.

Fonte: obersvador.pt


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